A dor no joelho direito começou há dois dias

Há dois dias, quando voltou do trabalho, meu marido comentou:

“Meu joelho direito dói quando caminho.”

Perguntei exatamente onde era a dor. Ela estava localizada na parte externa do joelho direito.

Ao examiná-lo, percebi sensibilidade à palpação na região lateral da coxa, ao longo do trato iliotibial. Os músculos posteriores da coxa (isquiotibiais) estavam bastante tensos e com pouca elasticidade. Além disso, ele também apresentava dor lombar e a pelve encontrava-se em retroversão.

Realizei então um ajuste da musculatura da coxa e dos glúteos, buscando melhorar a mobilidade da região.

Depois pedi que ele caminhasse pela casa e perguntei como estava se sentindo.

Ele respondeu:

“A dor no joelho desapareceu. A dor nas costas diminuiu para cerca de 30%. Obrigado.”

Logo depois, ele adormeceu profundamente.

Tentando entender a causa da dor no joelho (Parte 1)

Meu marido passou por uma cirurgia em que aproximadamente 80% do estômago foi removido. Por isso, ele apresenta maior facilidade para desenvolver a síndrome de dumping após as refeições.

Quando isso acontece, costuma descansar apoiando uma almofada nas costas ou permanece com o corpo levemente curvado para aliviar o desconforto. Como consequência, sua pelve tende a permanecer em retroversão, favorecendo o aparecimento de dores lombares.

Atualmente estamos trabalhando exercícios de mobilidade da caixa torácica, alongamentos do músculo iliopsoas e liberação miofascial da região da articulação sacroilíaca.

Ter uma esposa terapeuta ocupacional tem uma vantagem: a reabilitação em casa não custa nada. 😉👍

Apesar disso, ele nunca havia reclamado de dor no joelho.

Então comecei a pensar no que poderia ter acontecido nos últimos dias e lembrei de dois fatos importantes.

O primeiro foi a mesa do apartamento mobiliado onde estamos morando temporariamente.

Ela possui pés inclinados, com um design bonito, mas desde que nos mudamos meu marido já bateu três vezes a perna direita neles.

As batidas aconteceram na parte lateral da perna e nos dedos do pé direito, e a região próxima ao maléolo lateral chegou a ficar inchada.

O segundo fato foi que a tira da sandália havaiana do lado direito se rompeu.

Provavelmente ele precisou caminhar de uma forma diferente para evitar que a sandália saísse do pé.

Naquele momento comecei a pensar que essas pequenas mudanças na maneira de caminhar poderiam estar relacionadas ao aparecimento da dor no joelho.

“A dor aparece apenas quando subo escadas”

Na noite seguinte, meu marido voltou a reclamar:

“Meu joelho voltou a doer. Você pode fazer alguma coisa?”

Perguntei:

“Em que momento dói?”

Ele respondeu:

“Somente quando subo escadas. A dor é na parte externa do joelho direito.”

Curiosamente, ao caminhar em terreno plano ele já não sentia dor.

Pedi que se deitasse de barriga para cima e observei que toda a perna direita estava rodada para fora.

Na maioria dos casos, quando o quadril direito está em rotação externa, o lado esquerdo costuma apresentar uma leve rotação interna devido ao posicionamento da pelve.

Entretanto, desta vez as duas pernas estavam em rotação externa.

Mesmo assim, a rotação da perna direita era muito mais acentuada, e a patela também encontrava-se deslocada mais lateralmente.

Esse padrão já havia aparecido em alguns pacientes durante minha experiência clínica.

Então fiz uma pergunta ao meu marido.

“Será que você sobe as escadas com os pés apontando para fora?”

Ele respondeu um pouco surpreso:

“Talvez… Nunca reparei nisso.”

Esse é um padrão muito comum em pessoas que caminham com os pés excessivamente voltados para fora, o chamado “andar em posição de pato” (marcha em rotação externa).

A articulação do joelho não foi projetada para suportar movimentos excessivos de torção.

Durante a marcha existe um pequeno movimento fisiológico chamado mecanismo do parafuso (screw-home mechanism), no qual a tíbia realiza uma discreta rotação externa ao final da extensão do joelho.

No entanto, quando essa rotação se torna exagerada, o excesso de carga costuma ser absorvido principalmente pela região lombar ou pelo próprio joelho.

Ao caminhar em terreno plano, essa sobrecarga pode passar despercebida.

Porém, ao subir escadas, todo o peso do corpo é sustentado por apenas uma perna de cada vez.

Se isso acontece enquanto os pés permanecem excessivamente voltados para fora, a carga sobre a parte externa do joelho aumenta consideravelmente.

No dia anterior eu já havia tratado a musculatura posterior da coxa, a região lombar e os glúteos, de modo que o quadril apresentava boa mobilidade.

Realizei novamente o tratamento da musculatura ao redor do quadril e dediquei atenção especial ao músculo tensor da fáscia lata do lado direito.

Mesmo assim, quando ele voltou a deitar de barriga para cima, a perna direita continuava claramente rodada para fora.

Naquele momento percebi que provavelmente ainda havia outro fator contribuindo para esse padrão de movimento.

O alinhamento melhorou após o tratamento da perna

Decidi então concentrar o tratamento na parte inferior da perna (entre o joelho e o tornozelo).

Após realizar o ajuste dos músculos e da fáscia dessa região, pedi novamente que ele se deitasse de barriga para cima.

Desta vez, a perna direita já apresentava praticamente a mesma posição da esquerda, com muito menos rotação externa.

Em seguida, pedi que caminhasse pela casa e perguntei como estava a dor.

Ele respondeu:

“A dor no joelho desapareceu. Ainda sinto um pouco de dor nas costas, mas melhorou bastante.”

Na manhã seguinte, ao subir as escadas no trabalho, ele percebeu que a dor havia diminuído para um nível quase imperceptível.

Combinamos então que ele passaria a prestar atenção ao posicionamento dos pés ao subir escadas, evitando que ficassem excessivamente voltados para fora.

Minha hipótese sobre a origem da dor (Parte 2)

Embora o quadril apresentasse boa mobilidade e amplitude de movimento, a perna direita permanecia em rotação externa.

Isso me levou a refletir sobre o que poderia estar mantendo esse padrão.

A hipótese que considerei mais provável foi a seguinte:

Após a contusão na parte lateral da perna direita, a pele, a fáscia e os músculos podem ter perdido parte de sua elasticidade.

Essa diminuição da mobilidade dos tecidos pode ter aumentado a tensão ao longo da cadeia lateral do membro inferior, envolvendo a fíbula, o trato iliotibial e o músculo tensor da fáscia lata.

Outro fator que talvez tenha contribuído foi a sandália havaiana quebrada.

Como a tira direita havia se rompido, ele precisou caminhar tentando impedir que a sandália escapasse do pé.

Esse tipo de compensação pode aumentar o trabalho do músculo tibial anterior e favorecer ainda mais a rotação externa da perna.

Somando esses fatores, é possível que ele tenha passado alguns dias caminhando de maneira diferente do habitual.

Ao subir escadas, essa rotação externa excessiva fazia com que o peso do corpo fosse apoiado sobre uma perna já em posição de torção, aumentando a sobrecarga na parte lateral do joelho.

Naturalmente, essa é apenas uma hipótese baseada na avaliação clínica e na evolução observada durante o tratamento.

Cada pessoa pode apresentar causas diferentes para um mesmo sintoma.

No entanto, muitas vezes pequenos hábitos do dia a dia passam despercebidos e acabam influenciando a forma como nos movimentamos.

No caso do meu marido, tomar consciência da posição dos pés ao subir escadas pode ter sido um passo importante para evitar que a dor voltasse.

Continuaremos acompanhando sua evolução.

Observação: Este relato descreve um único caso clínico e representa uma hipótese baseada na avaliação funcional realizada. As causas da dor no joelho variam de pessoa para pessoa. Caso a dor persista, aumente de intensidade ou venha acompanhada de inchaço importante, recomenda-se procurar um médico ou outro profissional de saúde qualificado para uma avaliação adequada.

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