Como contei em um artigo anterior, meu marido deixou de sentir dor no joelho ao subir escadas.

Ele também tem se esforçado para caminhar sem abrir excessivamente os pés para os lados.

Por outro lado, seus dedos dos pés continuam levemente curvados para cima (“dedos flutuantes”). Por isso, ele diminuiu o uso de chinelos e estamos observando como o pé evolui.

Uma dor que existia há anos

Apesar da melhora no joelho, havia outro problema que o incomodava há bastante tempo.

Quando pressionava a região entre o dedão e o segundo dedo do pé direito, sentia dor.

Esse sintoma existia há vários anos, mas como a dor só aparecia quando o local era pressionado, ele acabou deixando o problema de lado. Afinal, já convivia com dores na lombar, nos joelhos e nos ombros, e imaginava que fosse apenas consequência da idade.

Recentemente, porém, ao melhorar sua postura ao dirigir e a forma de caminhar, as dores na lombar e nos joelhos diminuíram bastante. Foi então que essa dor na base do pé passou a chamar mais atenção.

Minha primeira hipótese: compressão de um nervo

Comparando os dois pés, percebi que o esquerdo não doía quando pressionado, enquanto o direito apresentava dor.

Minha primeira hipótese foi a existência de alguma aderência nos tecidos, comprimindo a passagem de um nervo.

Embora ele tenha reduzido o hábito de caminhar com os pés muito abertos, a perna direita ainda apresenta maior rotação externa em comparação com a esquerda. Como consequência, o lado interno do tendão de Aquiles permanece mais tenso.

Realizei então as técnicas de ajuste do quadril e do membro inferior utilizadas na Kenshinin, para restaurar o equilíbrio corporal. Em seguida, apliquei uma liberação miofascial na região do ligamento talofibular anterior e do retináculo dos músculos extensores.

Logo após a liberação do retináculo extensor, ele comentou:

— A dor diminuiu cerca de 80%!

Como ainda restavam aproximadamente 20% da dor, decidimos apenas observar.

No dia seguinte, a dor havia desaparecido completamente.

No entanto, um dia depois, ela voltou.

Será que o problema era realmente uma aderência?

O ponto doloroso ficava exatamente na pequena depressão entre o dedão e o segundo dedo do pé.

Como ele apresenta tendência aos “dedos flutuantes”, essa região é mais afundada do que o normal.

O fato de a dor ter melhorado e retornado rapidamente me fez pensar que talvez a causa não fosse apenas uma aderência.

Perguntei:

— Como é essa dor?

Ele respondeu:

— Parece quando você aperta um machucado roxo depois de bater o pé.

Era uma dor semelhante à de uma contusão, mas ele não havia batido o pé e a pele apresentava coloração totalmente normal.

Naquele instante, lembrei-me de uma experiência que tive durante meu trabalho com reabilitação domiciliar.

Perguntei novamente:

— E os outros dedos? O pé esquerdo realmente não dói?

Ele respondeu:

— Um pouquinho dói, mas é tão leve que nunca dei importância.

Naquele momento, tive certeza.

A causa provavelmente era edema (inchaço).

A drenagem linfática reduziu a dor

Desta vez, resolvi fazer um teste diferente.

Em vez de realizar o ajuste do quadril e do membro inferior, apliquei apenas técnicas para reduzir o edema, estimulando a drenagem linfática.

Logo após o tratamento, ele comentou surpreso:

— Nossa… a dor caiu para apenas 10% ou 20% do que era antes. O que você fez?

Respondi:

— À primeira vista, o pé nem parece inchado, mas acredito que a dor era causada justamente por esse edema. Ao estimular a circulação da linfa, a dor diminuiu.

Foi então que revelei minha hipótese.

Pensando bem, a melhora observada na primeira sessão também pode ser explicada pelo aumento da circulação linfática provocado pela liberação miofascial e pelos movimentos realizados no tornozelo durante o tratamento.

Ele apenas respondeu:

— Ah, entendi.

No Brasil, o conceito de drenagem linfática como recurso para aliviar esse tipo de dor ainda não é muito difundido. Por isso, sua reação foi bastante discreta.

No entanto, para mim, esse caso trouxe um grande aprendizado.

Um edema que não era visível

Até então, eu associava a dor provocada pela pressão principalmente aos casos em que o edema era evidente, com inchaço visível ou alteração da cor da pele.

Entretanto, desta vez descobri que até mesmo um pé que aparentemente não está inchado pode apresentar dor causada pelo acúmulo de líquido.

Além disso, não se tratava de uma pessoa muito idosa nem de alguém acamado ou com pouca mobilidade durante o dia.

Isso me fez pensar em um possível fator cultural.

No Japão, muitas pessoas passam parte do tempo sentadas no chão, o que naturalmente favorece mudanças frequentes de posição e movimentos das pernas.

Já no Brasil, é comum permanecer por longos períodos em pé ou sentado em cadeiras, mesmo dentro de casa.

Talvez esse hábito favoreça o aparecimento de casos semelhantes.

Naturalmente, essa é apenas uma hipótese baseada na minha experiência clínica. Serão necessários mais casos e observações para confirmar essa relação.

Se você apresenta sintomas parecidos…

Se sentir dor ao pressionar a base do dedão do pé, a primeira recomendação é procurar um médico para uma avaliação adequada.

Em alguns casos, o edema pode estar relacionado a doenças cardíacas, renais ou outras condições que precisam ser investigadas.

Por outro lado, quando o inchaço está relacionado ao fato de permanecer muito tempo sentado ou em pé, movimentar os tornozelos regularmente e ativar a musculatura da panturrilha pode ajudar a prevenir o acúmulo de líquidos.

Se você não sabe como estimular a drenagem linfática ou gostaria de uma avaliação para descobrir a verdadeira causa da dor, será um prazer recebê-lo na Kenshinin Muscle Therapy.

Cada pessoa é diferente. Por isso, antes de tratar a dor, procuramos identificar sua causa e oferecer o tratamento mais adequado para cada caso.

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